{"id":1149,"date":"2025-11-10T09:42:13","date_gmt":"2025-11-10T09:42:13","guid":{"rendered":"https:\/\/aegnunes.pt\/?page_id=1149"},"modified":"2025-11-16T12:32:45","modified_gmt":"2025-11-16T12:32:45","slug":"a-lenda","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/aegnunes.pt\/?page_id=1149","title":{"rendered":"A Lenda"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"1149\" class=\"elementor elementor-1149\" data-elementor-post-type=\"page\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-beb663f e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"beb663f\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-f0eba45 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"f0eba45\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">A Lenda<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bd469de elementor-widget elementor-widget-spacer\" data-id=\"bd469de\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"spacer.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-spacer\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-spacer-inner\"><\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-47bb1c1 e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"47bb1c1\" data-element_type=\"container\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d7b5865 e-grid e-con-full e-con e-child\" data-id=\"d7b5865\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-82f9c42 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"82f9c42\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>A Lenda<\/strong><\/p><p>Nuno Gon\u00e7alves e Gon\u00e7alo Nunes, alcaides do Castelo de Faria, protagonizaram uma das mais belas p\u00e1ginas da Hist\u00f3ria de Portugal, imortalizada por Alexandre Herculano, nas Lendas e Narrativas publicadas em 1851.<\/p><p>O adiantado de Galiza, Pedro Rodriguez Sarmento, entrou pela prov\u00edncia de Entre-Douro e Minho com um grosso corpo de gente de p\u00e9 e de cavalo, enquanto a maior parte do pequeno ex\u00e9rcito portugu\u00eas trabalhava inutilmente ou por defender ou por descercar Lisboa.<\/p><p>Prendendo, matando e saqueando, veio o adiantado at\u00e9 \u00e0s imedia\u00e7\u00f5es de Barcelos, sem achar quem lhe atalhasse o passo; aqui, por\u00e9m, saiu-lhe ao encontro dom Henrique Manuel, Conde de Seia e tio d\u2019el Rei D. Fernando, com a gente que p\u00f4de ajuntar. Foi terr\u00edvel o conflito; mas, por fim, foram desbaratados os portugueses, caindo alguns nas m\u00e3os dos advers\u00e1rios.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9116264 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"9116264\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"402\" src=\"https:\/\/aegnunes.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/22063779_ztciA.jpeg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-1151\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/aegnunes.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/22063779_ztciA.jpeg 620w, https:\/\/aegnunes.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/22063779_ztciA-300x195.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-120185b e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"120185b\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c833e50 e-grid e-con-full e-con e-child\" data-id=\"c833e50\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a865888 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a865888\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Entre os prisioneiros contava-se o alcaide-mor do Castelo de Faria, Nuno Gon\u00e7alves. Sa\u00edra este com alguns soldados para socorrer o Conde de Seia, vindo, assim, a ser companheiro na comum desgra\u00e7a. Cativo, o valoroso alcaide pensava em como salvaria o castelo d\u2019el-Rei seu senhor das m\u00e3os dos inimigos. Governava-o em sua aus\u00eancia um seu filho, e era de crer que, vendo o pai em ferros, de bom grado desse a fortaleza para o libertar, muito mais quando os meios de defesa escasseavam. Estas considera\u00e7\u00f5es sugeriram um ardil a Nuno Gon\u00e7alves. Pediu ao adiantado que o mandasse conduzir ao p\u00e9 dos muros do castelo, porque ele, com suas exorta\u00e7\u00f5es, faria com que o filho o entregasse, sem derramamento de sangue.<\/p><p>Um tro\u00e7o de besteiros e de homens de armas subia a encosta do monte da Franqueira, levando no meio de si o bom alcaide Nuno Gon\u00e7alves. O adiantado de Galiza seguia atr\u00e1s com o grosso da hoste, e a costaneira ou ala direita, capitaneada por Jo\u00e3o Rodriguez de Viedma, estendia-se, rodeando os muros pelo outro lado. O ex\u00e9rcito vitorioso ia tomar posse do Castelo de Faria, que lhe prometera dar nas m\u00e3os o seu cativo alcaide. De roda da barbac\u00e3 alvejavam as casinhas da pequena povoa\u00e7\u00e3o de Faria, mas silenciosas e ermas. Os seus habitantes, apenas enxergaram ao longe as bandeiras castelhanas, que esvoa\u00e7avam soltas ao vento, e viram o refulgir cintilante das armas inimigas, abandonando os seus lares, foram acolher-se no terreiro que se estendia entre os muros negros do castelo e a cerca exterior ou barbac\u00e3. Nas torres, os atalaias vigiavam atentamente a campanha, e os almocad\u00e9ns corriam com a rolda pelas quadrelas do muro e subiam aos cubelos colocados nos \u00e2ngulos das muralhas. O terreiro onde se haviam acolhido os habitantes da povoa\u00e7\u00e3o estava coberto de choupanas colmadas, nas quais se abrigava a turba dos velhos, das mulheres e das crian\u00e7as, que ali se julgavam seguros da viol\u00eancia de inimigos desapiedados.<\/p><p>Quando o tro\u00e7o dos homens de armas que levavam preso Nuno Gon\u00e7alves vinha j\u00e1 a pouca dist\u00e2ncia da barbac\u00e3, os besteiros que coroavam as ameias encurvaram as bestas, os homens dos engenhos prepararam-se para arrojar sobre os contr\u00e1rios as suas quadrelas e virot\u00f5es, enquanto o clamor e o choro se levantavam no terreiro, onde o povo inerme estava apinhado.<\/p><p>Um arauto saiu do meio da gente da vanguarda inimiga e caminhou para a barbac\u00e3, todas as bestas se inclinaram para o ch\u00e3o, e o ranger das m\u00e1quinas converteu-se num sil\u00eancio profundo.<\/p><p>\u2014 Mo\u00e7o alcaide, mo\u00e7o alcaide! \u2014 bradou o arauto \u2014 teu pai, cativo do mui nobre Pedro Rodriguez Sarmento, adiantado de Galiza pelo mui excelente e temido dom Henrique de Castela, deseja falar contigo, de fora do teu castelo.<\/p><p>Gon\u00e7alo Nunes, o filho do velho alcaide, atravessou ent\u00e3o o terreiro, e chegando \u00e0 barbac\u00e3, disse ao arauto: \u2014 A Virgem proteja meu pai. Dizei-lhe que eu o espero.<\/p><p>O arauto voltou ao grosso de soldados que rodeavam Nuno Gon\u00e7alves, e depois de breve demora o tropel aproximou-se da barbac\u00e3. Chegados ao p\u00e9 dela, o velho guerreiro saiu dentre seus guardadores e falou com o filho: \u2014 Sabes tu, Gon\u00e7alo Nunes, de quem \u00e9 esse castelo que, segundo regimento de guerra, entreguei \u00e0 tua guarda quando vim em socorro e ajuda do esfor\u00e7ado conde de Seia?<\/p><p>\u2014 \u00c9 \u2014 respondeu Gon\u00e7alo Nunes \u2014 de nosso rei e senhor dom Fernando de Portugal, a quem por ele fizeste preito e menagem.<\/p><p>\u2014 Sabes tu, Gon\u00e7alo Nunes, que o dever de um alcaide \u00e9 de nunca entregar, por nenhum caso, o seu castelo a inimigos, embora fique enterrado debaixo das ru\u00ednas dele?<\/p><p>\u2014 Sei, \u00f3 meu pai! \u2014 prosseguiu Gon\u00e7alo Nunes em voz baixa, para n\u00e3o ser ouvido dos castelhanos, que come\u00e7avam a murmurar. \u2014 Mas n\u00e3o v\u00eas que a tua morte \u00e9 certa, se os inimigos percebem que me aconselhaste a resist\u00eancia?<\/p><p>Nuno Gon\u00e7alves, como se n\u00e3o tivera ouvido as reflex\u00f5es do filho, clamou ent\u00e3o:<\/p><p>\u2014 Pois se o sabes, cumpre o teu dever, alcaide do Castelo de Faria! Maldito por mim, sepultado sejas tu no inferno, como Judas o traidor, na hora em que os que me cercam entrarem nesse castelo, sem trope\u00e7arem no teu cad\u00e1ver.<\/p><p>\u2014 Morra! \u2014 gritou o almocad\u00e9n castelhano. \u2014 Morra o que nos atrai\u00e7oou.<\/p><p>E Nuno Gon\u00e7alves caiu no ch\u00e3o, atravessado de muitas espadas e lan\u00e7as.<\/p><p>\u2014 Defende-te, alcaide! \u2014 foram as \u00faltimas palavras que ele murmurou.<\/p><p>Gon\u00e7alo Nunes corria como louco ao redor da barbac\u00e3, clamando vingan\u00e7a. Uma nuvem de frechas partiu do alto dos muros; grande por\u00e7\u00e3o dos assassinos de Nuno Gon\u00e7alves misturaram o pr\u00f3prio sangue com o sangue do homem leal ao seu juramento. Os castelhanos acometeram o castelo; no primeiro dia de combate o terreiro da barbac\u00e3 ficou alastrado de cad\u00e1veres tisnados e de colmos e ramos reduzidos a cinzas.<\/p><p>Um soldado de Pedro Rodriguez Sarmento tinha sacudido com a ponta da sua longa chu\u00e7a um colmeiro incendiado para dentro da cerva; o vento su\u00e3o soprava nesse dia com viol\u00eancia, e em breve os habitantes da povoa\u00e7\u00e3o, que haviam buscado o amparo do castelo, pereceram juntamente com as suas fr\u00e1geis moradas. Mas Gon\u00e7alo Nunes lembrava-se da maldi\u00e7\u00e3o de seu pai. Lembrava-se de que o vira moribundo no meio dos seus matadores, e ouvia a todos os momentos o \u00faltimo grito do bom Nuno Gon\u00e7alves: &#8220;Defende-te, alcaide!&#8221;<\/p><p>O orgulhoso Sarmento viu a sua soberba abatida diante dos torvos muros do Castelo de Faria. O mo\u00e7o alcaide defendia-se como um le\u00e3o, e o ex\u00e9rcito castelhano foi constrangido a levantar o cerco. Gon\u00e7alo Nunes, acabada a guerra, era altamente louvado pelo seu brioso procedimento e pelas fa\u00e7anhas que obrara na defesa da fortaleza cuja guarda lhe fora encomendada por seu pai no \u00faltimo transe da vida. Mas a lembran\u00e7a do horr\u00edvel sucesso estava sempre presente no esp\u00edrito do mo\u00e7o alcaide.<\/p><p>Pedindo a El-Rei o desonerasse do cargo que t\u00e3o bem desempanhara, foi depor ao p\u00e9 dos altares a cervilheira e o saio de cavaleiro, para se cobrir com as vestes pac\u00edficas do sacerd\u00f3cio. Ministro do santu\u00e1rio, era com l\u00e1grimas e preces que ele podia pagar a seu pai o ter coberto de perp\u00e9tua gl\u00f3ria o nome dos alcaides de Faria.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-06e6846 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"06e6846\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1f2b7c6 elementor-widget elementor-widget-spacer\" data-id=\"1f2b7c6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"spacer.default\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-spacer\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-spacer-inner\"><\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fde8fbc e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"fde8fbc\" data-element_type=\"container\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-cd04f47 e-grid e-con-full e-con e-child\" data-id=\"cd04f47\" data-element_type=\"container\" data-settings=\"{&quot;shape_divider_bottom&quot;:&quot;opacity-tilt&quot;}\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-shape elementor-shape-bottom\" aria-hidden=\"true\" data-negative=\"false\">\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 2600 131.1\" preserveAspectRatio=\"none\">\n\t<path class=\"elementor-shape-fill\" d=\"M0 0L2600 0 2600 69.1 0 0z\"\/>\n\t<path class=\"elementor-shape-fill\" style=\"opacity:0.5\" d=\"M0 0L2600 0 2600 69.1 0 69.1z\"\/>\n\t<path class=\"elementor-shape-fill\" style=\"opacity:0.25\" d=\"M2600 0L0 0 0 130.1 2600 69.1z\"\/>\n<\/svg>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lenda A Lenda Nuno Gon\u00e7alves e Gon\u00e7alo Nunes, alcaides do Castelo de Faria, protagonizaram uma das mais belas p\u00e1ginas da Hist\u00f3ria de Portugal, imortalizada por Alexandre Herculano, nas Lendas e Narrativas publicadas em 1851. 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